Os Celtas

Os Celtas, um povo que por mais que busquemos suas certezas, estas estão apenas no sentir na palavra levada de um para ao outro, seja de pai para filho ou de família a família. Estudar os celtas é estar em constante contato com os mitos, história e arte visto que a escrita era muito pouco utilizada por eles, seus ensinamentos eram passados verbalmente, pois havia honra na palavra e nela se construíam todas as relações. Suas primeiras evidências escritas surgem no período do cristianismo, compiladas por monges da época que traziam em si diferentes olhares.

Atualmente há muitos estudos sobre a cultura Celta sendo desenvolvidos por arqueólogos e historiadores, porém, ainda assim não há registros produzidos pelo próprio povo celta, como no caso dos Romanos, por exemplo.

A origem dos povos Celtas é incerta, uma das possíveis origens, mais aceita por estudiosos, é a Indo-europeia, na qual teriam se estabelecido na Europa Central entre o 2º e 3º milênio a.C.

Imagem por Bellouesus Isarnos

Há rastros célticos por toda a Europa e até mesmo além dela, acredita-se que isso se deve ao fato de ser um povo de origem migratória e tribal. Além de que, eles dominavam metais leves, como o cobre, gerando assim vantagens em suas batalhas. Apreciavam e produziam bebidas fermentadas como o hidromel e a cerveja.

Os Celtas, nunca criaram um império, e muitos estudiosos acreditam que isso ajudou, no momento da chegada do cristianismo, a enfraquecer aos poucos sua cultura.

O que caracterizava os povos celtas era sua cultura em comum, pois, mesmo com suas variadas tribos, suas línguas, costumes, artes e religiosidade se encontravam. As diversas tribos lutavam entre si, era uma forma de demonstrar sua bravura e buscar glória através de conquistas territoriais. Sendo assim, em cada região eles absorviam ou mantinham suas características locais de acordo com suas migrações.

A sociedade celta era dividida, em sua maioria em: a Classe Sacerdotal (Druídas), a Nobreza Guerreira e o Conjunto de Homens Livres (artesões, ferreiros, etc).

A língua utilizada era a Indo-europeia e trazia características diferentes de acordo com a região. Essas tribos eram governadas por reis guerreiros, por rainhas ou por aristocratas.

Sua população apreciava adornos como braceletes, anéis, colares, brincos e broches. Em especial havia o Torque que era um colar destinado apenas aos reis, rainhas e valorosos guerreiros, este, representava a nobreza e a glória. Pode se dizer que os Celtas era criadores de artes, pois cada artefato criado por eles era de uma inigualável beleza, pelo domínio artístico e perfeição de suas formas e traços.

Cultivavam trigo e criavam gado, a quantidade de gado era outra forma de mensurar a riqueza de uma família ou tribo.

A espiritualidade era centrada no druida, que era considerado com um poder superior aos reis e rainhas. Os druidas tinham um papel de sacerdote, juiz, conselheiro do rei/rainha, vidente, poeta e professor. Sua espiritualidade era politeísta e animista. Os celtas tinham uma relação íntima com a terra e os seus ciclos, bem como com as demais formas de vida, mostrando-nos a sacralidade nessas relações e conexão com o Outro Mundo.

Por meio dos mitos temos a chance de compreender a bravura em batalha dessa cultura, e mais, podemos compreender que em meio às batalhas não havia o medo da morte, pois a morte não significa o fim da vida e sim o encontro com outro mundo ao lado dos Deuses e ancestrais.

É a essência dos mitos, de sua história e da sua filosofia que inspira nossa espiritualidade nos dias atuais.

 

REFERÊNCIAS:

BELLOUESUS ISARNOS, A Religião Céltica, (palestra disponível em http://bellodunon.com/2014/04/21/a-religiao-celtica/ )

BELLOUESUS ISARNOS, Sobre Celtas e Druidas (disponível em http://bellodunon.com/2013/05/30/sobre-celtas-e-druidas/ )

Cunobelinos, W. Os Primeiros Celtas (disponível em http://www.ramodecarvalho.com.br/artigos/os-primeiros-celtas-2/ )

Guimarães, A. A Sociedade Celta (disponível em http://www.druidismo.com.br/index/Os_Celtas/Entries/2010/8/15_a_sociedade_celta.html )

PLACE, Robin. Os Celtas. São Paulo: Ed. Melhoramentos 1989.