Os Festivais Celtas

Pelas informações sobre os celtas que chegaram até nós, ainda pouco se sabe sobre as formas de calendário que eram utilizadas por estes povos, e é muito provável que em cada região houvesse uma forma específica de marcar a passagem do tempo.

Atualmente a forma mais conhecida é a roda do ano, baseada nos ciclos agrícolas e estações do ano, porém, na época do Renascimento Druídico, no ano de 1717, adotou-se um sistema baseado apenas nos solstícios e equinócios, mesmo sem garantias de possuírem bases nas tradições célticas.

Com o passar dos anos e o amadurecimentos dos estudos do Druidismo, passou-se a se dar mais atenção aos costumes rurais dos povos descendentes dos celtas.

Foi Ross Nichols (1902-1975) o primeiro a organizar os quatro festivais do fogo da Irlanda, que encontram semelhanças em boa parte do mundo celta, e o folclore europeu, unindo-os aos solstícios e equinócios, criando o que hoje conhecemos como a Roda do Ano.

Na época, essa nova organização não foi aceita pela Ancient Order of Druids (AOD), da qual Nichols fazia parte, e a ideia foi adotada por seu amigo Gerald Gardner, que após algumas adaptações, a utilizou na Wicca.

Foi só após alguns anos, e o surgimento de novas ordens druídicas, que os 4 festivais passaram a ser celebrados, porém, ainda hoje, não há uma única forma de celebração, alguns grupos celebram todas as 8 datas da roda do ano, enquanto outros se atêm apenas aos 4 festivais celtas e outros ainda celebram apenas os solstícios e equinócios.

Por serem baseadas nos ciclos agrícolas e das estações, não há uma data específica para a celebração dos quatro festivais celtas. Aproximadamente, no hemisfério norte, teríamos as seguintes datas:

Samhain – por volta de 1º de novembro

Imbolc – por volta de 1º de fevereiro

Beltane – por volta de 1º de maio

Lughnassadh – por volta de 1º agosto

Os gaélicos dividiam seu ano em duas partes: a metade escura ou “O Sol Pequeno”, que se estendia de novembro à abril, englobando o inverno e a primavera, e a metade clara ou “O Sol Grande”, estendendo-se de maio até outubro, englobando o verão e o outono. De acordo com as lendas folclóricas escocesas, a metade escura do ano era governada por Cailleach, enquanto que na metade clara, Brìde “assumia o poder”. Na Irlanda, temos uma disputa similar entre duas irmãs – Áine e Grian – a primeira governando o período do Sol Grande, e a segunda, o do Sol Pequeno.

Estes quatro festivais principais eram conhecidos também como “Dias Trimestrais” (como o nome sugere, cada um acontecia de três em três meses), e todos marcavam o início de alguma estação: Samhain marcava o início do inverno, o Imbolc, o início da primavera, o Beltane, o início do verão e o Lughnassadh, o início do outono.

As datas dos festivais, além de marcarem os ciclos agrícolas e das estações, eram consideradas como épocas em que o Outro Mundo estava mais perto do mundo físico, possibilitando um melhor contato com os Deuses e seres feéricos.

A principal finalidade dos festivais celtas era garantir uma boa colheita, por isso realizavam-se nas épocas mais importantes do ano para os lavradores. Os habitantes das propriedades rurais mais distantes reuniam-se no local sagrado da tribo para muita festa e alegria, que normalmente durava vários dias. Entretanto os festivais eram ocasiões religiosas e sacrifícios aos Deuses eram oferecidos para incentivar a fertilidade.

A celebração dos festivais eram de extrema importância para os povos celtas, pois simbolizavam o próprio ciclo da vida: nascimento, desenvolvimento, morte e renascimento. Além de marcarem a passagem do tempo, os festivais serviam para celebrar a vida, agradecer aos Deuses, unir a tribo e se preparar para nova fase do ano, respeitando o tempo da terra e das estações.

Devido os festivais estarem ligados aos ciclos agrícolas e às mudanças das estações, muitos grupos no hemisfério sul preferem celebrar os festivais invertendo as datas.

O Clã Floresta de Manannán optou por celebrar ritualisticamente apenas os quatro festivais celtas e manter as datas originais do hemisfério norte, pois entendemos que os ciclos agrícolas e estações de nossa terra são muito diferentes dos europeus, sendo assim, mesmo invertendo as datas é impossível termos um cenário próximo do equivalente na Europa. Quanto aos solstícios e equinócios, obviamente, respeitamos as datas do hemisfério sul, apenas não os celebramos ritualisticamente.

 

Referências

Os Celtas – Editora Melhoramentos, Coleção povos do passado, 2 ed., São Paulo, 1992.

http://tirtairnge.blogspot.com.br/p/festivais

www.druidismo.com.br

http://www.druidry.org/about-us/ross-nichols-founder

Gerald Gardner & Ross Nichols