Os Três Reinos

Segundo Iolo Moganwg, a cosmologia de todo o nosso universo é formada por 3 principais elementos, que são: nwyfre, gwyar e calas. Conhecidos também como os três reinos: céu, mar e terra.

Essa forma de ver o universo, diz respeito a espiritualidade do Druidismo, se formos olhar a composição do universo através de outras vertentes espirituais, provavelmente nos depararemos com outros conceitos.

Portanto, vemos esse conjunto de três reinos como sendo próprio do druidismo.

Como a cultura celta não possuía escritas, toda a sua forma de aprendizado foi passado verbalmente, isso faz com que dependemos da escritas de monges, romanos, etc. para resgatar esses ensinamentos e a sua filosofia. Porém, é através dos mitos e lendas que constituíram-se caminhos para o resgate de fragmentos desta espiritualidade.

São através dos mitos e lendas que podemos constatar a crença dos 3 reinos, mas isso também é através do estudo e análise de determinados mitos.

Esses estudos nos mostram o quão importante era a numerologia 3 para esses antigos povos. Conceitos que envolviam tríades, tríplices, etc, era muito comum.

Os três reinos além de representar a formação do universo, também representam as três entradas para o Outro Mundo, no qual habitam diversos seres mitológicos e divindades.

Olhando de forma mais profunda e individual para cada um destes reinos e os seres espirituais e ou/ divindades que aparecem dentro do druidismo, podemos identificar alguns seres em determinado reino. É muito comum vermos nas mitologias celtas os Deuses ligados ao reino do céu, os ancestrais ao mar e espíritos naturais ligados à terra. Porém, isto não deve ser considerado uma regra fixa, uma vez que a deuses que se relacionam com mais de um reino, este conceito pode estar ligado ao fato dos três reinos interagirem entre si constantemente e isso não apenas entre eles, mas com o nosso mundo terreno também, ou seja, do contrário do que muitos pensam, essas entradas não precisam estar atrás de uma montanha necessariamente, podem estar mais perto do que imaginamos.

Assim também como a ideia da interação entre os mundos que podemos constatar observando uma árvore, que está ligada no reino das águas, através de suas raízes profundas, ao reino da terra com seu tronco e sua copa ao reino do céu.

O reino da Terra julgo ser o mais fácil de falarmos a seu respeito, pois é onde vivemos, seria nossa morada temporária enquanto temos vida, de acordo com a espiritualidade celta.

Este reino, não é apenas a nossa morada, mas de acordo com a visão animista também dividimos ela com os animais, plantas e alguns outros seres.

No druidismo a vida é vista como uma sacralidade e neste reino dividimos o espaço com estes outros seres, pois não somos superiores ou inferiores a eles.

O reino da Terra, assim como os demais, não está aqui para nos servir, pois a partir do momento que temos essa visão, perdemos o sagrado dentro de nós e nos afastamos da espiritualidade, ou seja, dá visão do Outro Mundo.

De acordo com essa visão, podemos aprender com os animais, plantas e até mesmo com a terra, ambos podem ser fontes de inspiração, desde que estejamos abertos a eles e que nossa caminhada seja feita honrando todos estes seres.

Este reino também é habitado pelos seres feéricos ou elementais como alguns costumam chamar. Esses seres muitas vezes são vistos como guardiões de um determinado local, outros são livres e podem caminhar junto com a sua tradição, mudando de uma região para outra. Portanto, é natural observarmos relatos de diferentes seres feéricos, pois cada região pode possuir formas de manifestações diferentes.

Devemos honrar e cuidar deste reino da terra, não só por ser nossa morada, mas por compreendermos a sua sacralidade e sua ligação com o Outro Mundo, qualquer que seja o ser que aqui habita, sabemos que possui força espiritual e que pode nos ensinar algo, mas esses ensinamentos e benções não são atingidos se não houver o respeito e a honra.

O Reino do Mar é conhecido por muitos como o caminho/ entrada para o Outro Mundo, é a abertura do portal para se juntar ao mundo mágico. Para os celtas o mar ia além dessa representação, mas em alguns casos acreditava-se no Outro Mundo como forma de ilhas sagradas, isso podemos constatar até hoje em alguns mitos onde há o relato da “ilha das Maçãs” relacionada a Manannan Mac Lir, uma divindade que não é só moradora, mas é ele que abre e fecha estes portais.

Mas o reino do Mar não é só habitado por esta divindade, existem outras que se relacionam a ele também, além dos espíritos das águas e das ondas.

Atualmente no druidismo, muitos acreditam que o mar é o principal acesso para este Outro Mundo e que quando nossa vida se encerra aqui no reino da Terra, partimos para ele, o Mar.

Portanto, nossos ancestrais estão ligados a este reino também. Ancestrais estes que sempre devemos honrá-los, sejam celtas ou não, devemos nossa vida a eles.

Por fim, o reino do Céu, este é tido como o reino dos deuses celestes. O céu se relaciona a lua, as estrelas, ao sol, a chuva que recebemos e o relâmpago.

Em diversas mitologias podemos constatar diferentes divindades ligadas a este reino. Seja Taran relacionado a voz do relâmpago ou Lugh relacionado a seu raio que simboliza sua lança.

O Céu é tido como um reino transitório, assim como o mar e a terra. Porém, não devemos seguir essas forças dos três reinos com uma visão tão rígida, assim como os seres feéricos podem mudar sua forma de manifestação, esses três reinos por interagirem constantemente entre si, suas forças também podem passar por mudanças, aliás esse fato pode acontecer até mesmo por conta de diferentes culturas de acordo com as regiões. Mas algo é nos passado de forma bem clara, os três reinos estão presentes em nossa vida, devemos reconhecer suas forças e tratá-las de forma honrosa para conseguirmos acessá-las e receber suas bençãos. Só assim, será possível estabelecer a confiança com a natureza e seus seres.

 

REFERÊNCIAS:

GREER, J. M., Three Druid Elements (disponível em http://aoda.org/Articles/Three_Druid_Elements.html )