Beltane

As noites frias vão se afastando,

O dia se aproxima.

O calor solar irradia tons quentes:

As bênçãos de Belenos estão entre nós.

 

A terra, antes gélida, começa a acordar,

Seu ventre terroso se abre.

O solo não mais hiberna:

Danu está aqui.

 

Para muitos pagãos, Beltane e Samhain dividem o ano em metades de luz e escuridão (os quais não devem ser confundidos com valorações de bom e mau, pois ambos são aspectos do Sagrado). Para os praticantes de druidismo, entretanto, as celebrações dos festivais trazem um tom de interação simbólica e mágica com as diversas estações do ano, e, através dos deuses, estes símbolos ritualísticos ganham vida.

O nome Beltane se dá pelas honras prestadas, por tribos celtas, ao deus solar Belenos, ou Bel; o nome do festival se traduz em “Os fogos de Bel”. No Hemisfério norte, aproximadamente no dia 1 de Maio, os celtas antigos acendiam fogueiras para trazer as bênçãos solares a si e à terra. Esses fogos possuíam o poder de curar doenças, e, quando com este intuito, faziam-se duas fogueiras uma ao lado da outra, pelas quais passavam tanto as pessoas quanto os animais (gado). O gado, depois de purificado, era levado aos pastos agora verdes pelo fim do inverno.

De acordo com Markale:

“se, em Samhain, se entrava em estado de “hibernação”, era em Beltane que apareciam os sinais de um despertar. Durante o inverno o fogo é invisível, escondido nas árvores, nas pedras, e nos seres vivos. A energia do fogo, durante esse período, existe como potencialidade. No festival de Beltane essa energia que o fogo representa se manifesta e alcança uma verdadeira epifania”.

A simbologia presente no ritual, portanto, é da chegada do calor, do fim do inverno. A terra, que antes hibernava, agora volta a exuberar em multicores e a demonstrar sua fertilidade. O Sol derrete a neve e o gelo, a terra acorda para a purificação do calor. Essa relação entre o Sol e a terra pode ser representada magicamente pelos deuses Belenos e Danu, aspectos masculino e feminino desse momento de despertar.

Bruce Manson propõe que, para os praticantes de paganismo hoje, a celebração de rituais sazonais como Beltane tem, dentre outros, o objetivo de ser um “veículo de crescimento e transformação” pessoal. Nós, que vivemos hoje no meio urbano, não interagimos com a terra da mesma forma que os celtas antigos, os quais dependiam das estações para planejar plantio, colheita e manejo do gado. Entretanto, para nós, momentos como Beltane também podem ser fortemente transformadores. Assim como a terra se abre para o Sol, abra seu interior para receber as bênçãos dos deuses, assim como o Sol faz a vida desabrochar, permita que seu eu desperte, que se torne quem você deseja ser. É tempo de fertilidade, é tempo dos fogos de purificação: limpe-se de suas doenças! É Beltane, vamos festejar a chegada do Sol.

Referências Bibliográficas:

MANSON, Bruce. An Examination of Samhain and Beltane Rituals in Contemporary Pagan Practice. Concordia University, 2006.

MARKALE, Jean. The Druids: Celtic Priests of Nature. Rochester: Inner Traditions, 1999.