Bruxaria

Muitas pessoas quando pensam em bruxaria, ainda hoje trazem à mente a imagem da velha com uma verruga no nariz, acompanhada de um gato preto e que causa mal às pessoas ao seu redor. Ledo engano, essa nada mais é do que uma visão cristã medieval utilizada para que a própria religião se sobrepusesse ao paganismo vigente.

Mas do que estamos falando, afinal?

Como prática, podemos identificá-la dentro de religiões africanas, europeias, americanas, entre outras. Em linhas gerais, inserimos a bruxaria num contexto pagão, pois seus seguidores não cultuam o Deus cristão, muito menos o Diabo. E, de forma consciente, direcionam as energias a seu favor, seja numa prática de cura, de prosperidade e outros fins, ou seja, praticam magia.

Como alguns exemplos de Bruxaria, temos o Hoodoo, a Bruxaria Tradicional, a Wicca, a Stregheria e a Bruxaria Natural.

Os bruxos integram em suas práticas mágicas os 4 elementos (fogo, terra, água e ar), e uma de suas bases de crença é que esses 4 elementos tenham criado tudo o que está ao nosso redor e permeiam o nosso corpo. Sem estes elementos não há vida e cada elemento é regido por um elemental. As salamandras regem o fogo, os duendes e gnomos a terra, as ondinas regem a água e os silfos cuidam do ar. Dependendo da tradição, podem existir outras nomenclaturas e até outros seres.

Na bruxaria também se trabalha com os espíritos ancestrais e animais de poder. E, dependendo da tradição de bruxaria, podem cultuar diversos deuses, de diferentes panteões, como os Wiccanos que trabalham com deuses celtas, gregos, egípcios, romanos entre outros ou, como no Hoodoo, que cultuam somente os Loas.

As ervas são amplamente utilizadas em feitiços, chás, curas, talismãs e diversas magias, assim como cristais e outros elementos da natureza.

E por falar em ervas e cristais, existem outros instrumentos mágicos que tem sua representação sagrada e de poder nos altares e rituais dos praticantes. Os mais conhecidos são o cálice, a varinha, a vassoura, a bola de cristal, o caldeirão e o áthame. Com a vassoura é possível realizar uma limpeza energética de ambientes, inclusive onde os rituais ocorrerão. O cálice e o caldeirão representam o elemento feminino. A varinha e o áthame correspondem ao elemento masculino, além de direcionarem as energias. A bola de cristal serve para armazenar energias e também para escriação.

Além dos instrumentos mencionados, existem livros das sombras, espelhos mágicos, espelhos negros e muitos outros que variam de tradição para tradição e até mesmo da criatividade do bruxo. Sim, a criatividade, que na minha opinião trata-se da ferramenta mais poderosa que um bruxo pode ter, pois com ela, não há limites para a sua magia e devoção.

Os rituais também são extremamente importantes na bruxaria. Através deles, o bruxo completa um ciclo de renovação e reflexão, que varia de acordo com as tradições. Na Wicca, por exemplo, este ciclo é composto de 8 sabbaths (rituais sazonais) e 13 esbaths (rituais de lua cheia) e dura 1 ano e 1 dia.

Com tudo isso, o bruxo se fortalece e se torna cada vez mais íntimo da natureza. Passa a entender que todos fazemos parte de um todo e que sem respeito não há equilíbrio.

 

Os Mistérios Wiccanos, Raven Grimassi

Magia das Velas, Gerina Dunwich

O Poder da Bruxa, Laurie Cabot

O Livro Completo de Bruxaria, Raymond Buckland

O Culto das Bruxas na Europa Ocidental, Margaret Murray